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Olga Benário (Prestes)

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O. Ben Ario.jpg

1928 - espiã soviética

Olga Benário nasceu em Munique, em 12 de fevereiro de 1908. Registrada como Olga Gutmann Benário, em sua atuação política usou os codinomes de Olga Sinek, Eva Kruger, Maria Bergner Vilar, Olga Vilar, Ivone Vilar, Olga Meireles e Maria Prestes.

No início dos anos de 1920, os arquivos policiais da República de Weimar já a classificavam como "agitadora comunista". Juntamente com seu parceiro, o comunista Otto Braun, ela se mudou aos 17 anos para Berlim-Neukölln, onde se tornou membro ativo da Juventude Comunista.

Olga e Otto Braun ocuparam um apartamento na Innstrasse 24 em Neukölln, tradicional bairro proletário berlinense. Foi nesse endereço que foram presos. Logo libertada, Olga organizou a ação espetacular que resgatou seu companheiro Otto Braun da prisão de Moabit.

Em abril de 1928, Olga e camaradas de Otto Braun disfarçados de estudantes de Direito invadiram a sala de audiências para onde Braun era levado. Subjugaram os policiais e libertaram o preso. Após a operação, Olga e Braun fugiram para Moscou.

Após deixar Otto, Olga casou-se com um ativista chamado B. P. Nikitin e ingressou na Academia Militar Soviética, especializando-se como agente do serviço secreto militar.

Posteriormente designada para a Direção de Agitação e Propaganda, do IV Departamento do Exército Vermelho, estava encarregada de selecionar novos agentes comunistas para os países em que a União Soviética tinha intenção de interferir na política interna ou tomar o poder.

Em 1934, encontrando-se Luis Carlos Prestes em Moscou, onde foi nomeado membro do Comitê Executivo do KOMINTERN, por ter exagerado para os dirigentes soviéticos os relatos do seu prestígio político no Brasil, acabou sendo incluído nos planos ali traçados para a tomada do poder e estabelecimento do regime comunista em terras brasileiras.

Despachado para o Brasil em 1935 com um passaporte falso com o nome de Antonio Vilar, é acompanhado por Olga, designada para fazer a sua segurança e fiscalizar o emprego do dinheiro que Moscou empregaria na subversão da ordem.

Viajaram de navio, passando antes por Nova Iorque, com Olga portando um passaporte com o nome de Maria Bergner. Durante a viagem, os dois tiveram relações sexuais, mantendo o relacionamento enquanto estiveram juntos no país.

Em julho, Prestes divulgou um manifesto conclamando os militares e o povo a derrubar Getúlio Vargas, que incentivou a deflagração em novembro da rebelião denominada de Intentona Comunista, por não ter passado de uma tentativa fracassada de depor militarmente o governo, acentue-se, democrático e constitucional, pois, encontrava-se em plena vigência a Constituição de 1934.

Sob o comando direto do KOMINTERN o movimento contava com a participação direta de 22 agentes daquele órgão, especialistas em insurreições, sabotagens e assassinatos. Eram eles, além de Olga Benário:

Olga Benario-Prestes.jpg

Olga Benario sob escolta

Arthur Ernest Ewert ou Harry Berger
Rodolfo Guioldi
Elise Saborowski
Ranieri Gonzales
Inês Tulchniska
Abraham Gurasky
Paviel Vladimirovich Stuchiévski ou Leon Julus Vallée
Sofia Semiônova Stuchiévskaia ou Alphonsine Vallée
Amleto Locatelli
Raymond Baron
Helena Kruger, a "alemãzinha"
Johann de Graaf ou Franz Gruber
Kurt Müller
Grete Wilde, e outros

Em 23 e 24 de novembro eclode o movimento em Natal (Rio Grande do Norte) e Recife (Pernambuco) e no dia 27 no Rio de Janeiro, onde parte dos efetivos militares de quatro unidades do Exército Brasileiro: o 3º Regimento de Infantaria (Praia Vermelha), o 2º Regimento de Infantaria e o Batalhão de Comunicações (Vila Militar) e a Escola de Aviação Militar (Campo dos Afonsos), numa ação traiçoeira atacaram durante a madrugada os próprio companheiros, impossibilitando a pronta defesa.

Sobre os acontecimentos o jornal "Correio da Manhã", de 30 de novembro de 1935, sábado, página 4, num editorial intitulado “O Castigo”, afirma: já estão reconstruídas algumas scenas da tragédia que culminou na verdadeira batalha da Praia Vermelha.....Contam-se entre os episódios tenebrosos daquele dia impiedosas liquidações sumárias, nas quais intervieram indivíduos despidos de todo o sentimento, até de simples humanidade....Um oficial friamente assassinado por mão de seu companheiro que trazia a arma envolvida num jornal: outro morto quando dormia e teria sido fácil prende-lo e desarmá-lo.

Todos os focos de resistência vermelha foram debelados com facilidade pelo governo federal. Em decorrência desse gravíssimo atentado seguiu-se a prisão de vários participantes, inclusive de nove agentes estrangeiros que não conseguiram fugir do país.

Prestes e Olga foram presos em 1936, numa casa do Méier, onde passaram a residir na clandestinidade. O primeiro foi condenado a uma pena de prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional, encarregado de julgar os crimes praticados pelos sediciosos.

Olga, apesar dos protestos internacionais dos comunistas, foi deportada para a Alemanha, no mesmo ano, grávida de sua filha, por força de decisão do Supremo Tribunal Federal em processo de extradição solicitada pela justiça daquele país, onde a presa tinha antecedentes criminais.

Contra a decisão da Suprema Corte foi impetrado o Habeas Corpus nº 26.155, de 17 de junho de 1936, que obteve a seginte decisão:

STF - HABEAS CORPUS N. 26.155 - OLGA BENARIO

HABEAS CORPUS N. 26.155

Estrangeira - Expulsão do território nacional - Quando se justifica.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de habeas corpus impetrado pelo Dr. Heitor Lima em favor de Maria Prestes, que ora se encontra recolhida à Casa de Detenção, afim de ser expulsa do território nacional, como perigosa à ordem pública e nociva aos interesses do país.

A Corte Suprema, indeferindo não somente a requisição dos autos do respectivo processo administrativo, como também o comparecimento da paciente e bem assim a perícia médica afim de constatar o seu alegado estado de gravidez, e

Atendendo a que a mesma paciente é estrangeira e a sua permanência no país compromete a segurança nacional, conforme se depreende das informações prestadas pelo Exmo. Sr. Ministro da Justiça:

Atendendo a que, em casos tais não há como invocar a garantia constitucional do habeas corpus, à vista do disposto no art. 2 do decreto n. 702, de 21 de março deste ano:

Acordam por maioria, não tomar conhecimento do pedido.

Custas pelo impetrante.

Corte Suprema, 17 de junho de 1936. - E. Lins, presidente. - Bento de Faria, relator.

(A decisão foi a seguinte: “Não conheceram do pedido, contra os votos dos senhores ministros Carlos Maximiliano, Carvalho Mourão e Eduardo Espinola, que conheciam e indeferiam.”)

Relator:Ministro Bento de Faria. Data do Julgamento:17.6.1936. Decisão:Não conhecido do pedido. Publicação do acórdão: Revista Jurisprudência, v. XXX/252/253.

A respeito do fato surgiram questionamentos sobre a possibilidade de efetivar-se a extradição dada a sua condição de grávida de um filho brasileiro de Prestes. Ocorria que tal circunstância se apresentava muito estranha, visto que ambos estavam sob ameaça de prisão iminente como responsáveis por acontecimentos gravíssimos, enquanto Olga, com curso de espionagem, onde foi instruída sobre o uso do sexo, jamais engravidaria por acaso. Existem opiniões no sentido de que essa gravidez foi concebida para criar um fato político que mantivesse a ativista soviética no Brasil.

Stalin.jpg

Stalin - fuzilou mais comunistas do que os governos fascistas

Enviada à Alemanha, em 27 de novembro de 1936, nascia Anita Prestes na maternidade da prisão feminina berlinense da Barnimstrasse. No começo de 1938, Olga foi separada de sua filha e enviada para o campo de concentração feminino de Lichtenburg. Passou mais três anos no campo de concentração de Ravensbrück, antes de ser executa na câmara de gás em Bernburg, em 1942.

Curiosamente, após tantas críticas difundidas no caso Olga, o governo de Stalin, em 3 de fevereiro de 1940, entregou à GESTAPO, Margarete Buber-Neumann, mulher do ativista comunista alemão Hans Neumannn, presos por terem caído em desgraça. Naquele tempo, tanto a União Soviética (atual Rússia) como o Brasil, mantinham relações cordiais com a Alemanha nazista.

Em 1938 o KOMINTERN encerrou a apuração sobre o fracasso da operação brasileira de 1935, considerando que as diretrizes enviadas de Moscou estavam corretas, mas o seu cumprimento fora equivocado. Com base nessas conclusões, foram fuzilados os principais protagonistas de todos os preparativos e decisões que retornaram para aquele país (outra razão provável para Olga querer permanecer no Brasil).

Olga Benário permaneceu no Brasil por menos de dois anos, onde entrou como agente de nação estrangeira para desestabilizar politicamente o país que, na época, ainda desfrutava do regime democrático da Constituição de 1934. Entretanto, por força da propaganda comunista internacional, empenhada em torná-la mártir, ficou tão conhecida como as heroínas brasileiras: Maria Quitéria, Ana Nery, Joana Angélica e Anita Garibaldi.

Ver também

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